Uma revolução para a liberdade
Por Glaucione Pedrôzo – 1°p. Jornalismo
“Toda revolução era primeiro uma idéia na mente de uma pessoa”
(Emerson)
“A liberdade econômica é bem pouco democrática: o liberalismo econômico é a doutrina dos fortes e dos poderosos (...). Crê na virtude da liberdade, mas a liberdade não possui em si sua razão de ser.” Thomas Hobbes, ao proferir essa frase, estava ciente do impacto que causaria essa teoria de econômica na vida de quem estivesse regido sob ela, antes mesmo de tomar a força e a dimensão que o liberalismo econômico atingiu.
A liberdade é uma das bases da democracia. O Estado liberal, resultante da ascensão da burguesia no contexto do iluminismo, implica na preservação da liberdade de comercio e de contrato, tem um caráter individualista, dando margem a um comportamento egoísta e altamente vantajoso para os mais hábeis e economicamente favorecidos, impedindo o Estado de proteger os menos afortunados. Causa essa de uma crescente injustiça social, pois se concedendo a todos o direito de ser livre, não se assegura a ninguém o poder ou os meios de ser livre gerando assim uma situação proveitosa para os economicamente fortalecidos.
O Brasil, país capitalista-neoliberal, tem em sua teoria um modelo econômico exemplar, que em tese promoveria igualdade de direitos, principalmente direito a uma mínima qualidade de vida, o que na prática é bem diferente da teoria
Uma pesquisa realizada pelo IBGE no período de 2002-2003, intitulada de POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), comprova o que é de conhecimento público: a péssima qualidade de vida da maioria dos brasileiros. A pesquisa relatou que 47% das famílias acham insuficiente a quantidade de comida que consomem, 85% das famílias do país disseram sentir alguma dificuldade para chegar ao final do mês com seus rendimentos. Outra pesquisa do IBGE com a mesma finalidade, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad – 2002), verificou que a remuneração média real do trabalhador brasileiro caiu 2,5% de 2001 para 2002 - e a perda maior, de 2,6%, foi para os trabalhadores com salários mais altos. Para os que ganhavam menos a perda foi de 1,7%.
De acordo com o presidente do IBGE, Eduardo Nunes “O índice de Gini, que mede a concentração de renda, revela que em 2002 ainda é extremamente alta a concentração de rendimentos no país e coloca o Brasil em uma das piores situações, quando comparado com os demais países" e acrescenta ainda “são necessários mais investimentos em políticas de habitação, educação e saneamento básico para melhorar a qualidade de vida da população. As desigualdades sociais, destaca, são agravadas pelos altos índices de concentração de renda”. Esses fatos comprovados pelo IBGE são bem contraditórios se comparados às premissas propostas no art. 170 da Constituição Federal Brasileira que pregam a “VII redução das desigualdades regionais e sociais”.
Com essa renda insuficiente, os trabalhadores são forçados a submeterem- se a um regime de trabalho com condições fora das previstas em lei, jornadas de trabalhos absurdas, chegando a superar 12 horas de trabalho diário e trabalhos com condições análogas às condições escravistas.
E o que seria necessário para mudar essa situação? Uma pesquisa do IBOPE, instituto que é responsável pela divulgação da opinião publica, revela que 53% da população admitem ter um interesse muito pequeno por política e, sendo essa é uma questão essencialmente política, logo conclui- se que a população não tem mais que um interesse superficial sobre o assunto. Outro fator que contribui, é o mito de que a política só interessa aos “políticos” já que estes são estes são “escolhidos” para a representação do povo e seus interesses. “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam” (Platão)
Entretanto, para que ocorra uma mudança significativa, é necessário que seja revisto o paradigma do liberalismo econômico como forma de governo, não o extinguindo, já que em sua essência é uma forma bastante justa de governar, mas promovendo uma revolução na sua prática. Mas primeiro, para que haja revolução é necessário despertar esse sentimento nas cabeças dos cidadãos, pois toda revolução só acontece com o apoio popular. “Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males” (Voltaire).
Por Glaucione Pedrôzo – 1°p. Jornalismo
“Toda revolução era primeiro uma idéia na mente de uma pessoa”
(Emerson)
“A liberdade econômica é bem pouco democrática: o liberalismo econômico é a doutrina dos fortes e dos poderosos (...). Crê na virtude da liberdade, mas a liberdade não possui em si sua razão de ser.” Thomas Hobbes, ao proferir essa frase, estava ciente do impacto que causaria essa teoria de econômica na vida de quem estivesse regido sob ela, antes mesmo de tomar a força e a dimensão que o liberalismo econômico atingiu.
A liberdade é uma das bases da democracia. O Estado liberal, resultante da ascensão da burguesia no contexto do iluminismo, implica na preservação da liberdade de comercio e de contrato, tem um caráter individualista, dando margem a um comportamento egoísta e altamente vantajoso para os mais hábeis e economicamente favorecidos, impedindo o Estado de proteger os menos afortunados. Causa essa de uma crescente injustiça social, pois se concedendo a todos o direito de ser livre, não se assegura a ninguém o poder ou os meios de ser livre gerando assim uma situação proveitosa para os economicamente fortalecidos.
O Brasil, país capitalista-neoliberal, tem em sua teoria um modelo econômico exemplar, que em tese promoveria igualdade de direitos, principalmente direito a uma mínima qualidade de vida, o que na prática é bem diferente da teoria
Uma pesquisa realizada pelo IBGE no período de 2002-2003, intitulada de POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), comprova o que é de conhecimento público: a péssima qualidade de vida da maioria dos brasileiros. A pesquisa relatou que 47% das famílias acham insuficiente a quantidade de comida que consomem, 85% das famílias do país disseram sentir alguma dificuldade para chegar ao final do mês com seus rendimentos. Outra pesquisa do IBGE com a mesma finalidade, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad – 2002), verificou que a remuneração média real do trabalhador brasileiro caiu 2,5% de 2001 para 2002 - e a perda maior, de 2,6%, foi para os trabalhadores com salários mais altos. Para os que ganhavam menos a perda foi de 1,7%.
De acordo com o presidente do IBGE, Eduardo Nunes “O índice de Gini, que mede a concentração de renda, revela que em 2002 ainda é extremamente alta a concentração de rendimentos no país e coloca o Brasil em uma das piores situações, quando comparado com os demais países" e acrescenta ainda “são necessários mais investimentos em políticas de habitação, educação e saneamento básico para melhorar a qualidade de vida da população. As desigualdades sociais, destaca, são agravadas pelos altos índices de concentração de renda”. Esses fatos comprovados pelo IBGE são bem contraditórios se comparados às premissas propostas no art. 170 da Constituição Federal Brasileira que pregam a “VII redução das desigualdades regionais e sociais”.
Com essa renda insuficiente, os trabalhadores são forçados a submeterem- se a um regime de trabalho com condições fora das previstas em lei, jornadas de trabalhos absurdas, chegando a superar 12 horas de trabalho diário e trabalhos com condições análogas às condições escravistas.
E o que seria necessário para mudar essa situação? Uma pesquisa do IBOPE, instituto que é responsável pela divulgação da opinião publica, revela que 53% da população admitem ter um interesse muito pequeno por política e, sendo essa é uma questão essencialmente política, logo conclui- se que a população não tem mais que um interesse superficial sobre o assunto. Outro fator que contribui, é o mito de que a política só interessa aos “políticos” já que estes são estes são “escolhidos” para a representação do povo e seus interesses. “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam” (Platão)
Entretanto, para que ocorra uma mudança significativa, é necessário que seja revisto o paradigma do liberalismo econômico como forma de governo, não o extinguindo, já que em sua essência é uma forma bastante justa de governar, mas promovendo uma revolução na sua prática. Mas primeiro, para que haja revolução é necessário despertar esse sentimento nas cabeças dos cidadãos, pois toda revolução só acontece com o apoio popular. “Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males” (Voltaire).

